Yamaha R1 2009 - Primeiras impressões

O fim de semana, começou da melhor maneira, sábado de manhã tive a oportunidade de rodar numa das mais desejadas superdesportivas do momento, a nova R1.
No 12º ano da sua existência, esta nova versão, pelas suas características técnicas, deixou-me curioso desde que foi dada a conhecer pela Yamaha.
A recente apresentação à imprensa no circuito autraliano de Eastern Creek, e os comentários e crónicas que daí advieram ainda mais vontade me deixaram de testar a versão deste ano da já mítica R1.
Estéticamente, talvez a versão menos consensual de todas, talvez devido a algumas opções estéticas em que aparentemente a Yamaha decidiu manter alguma fidelidade à linha anterior, e criar ao mesmo tempo um modelo inteiramente novo.
Passando ao que realmente interessa, peguei na mota com cerca de 200 kms, e bastou meter o motor em funcionamento, para sentir algo de completamente diferente, o som é diferente de qualquer 4 cilindros em linha, que conheço, talvez àparte a M1. Sem dúvida que a inovadora solução técnica derivada da mesma M1, com os intervalos irregulares da ignição, a cambota "crossplane" como a Yamaha lhe chamou, lhe dão uma sonoridade muito peculiar, mesmo com as ponteiras de origem. Imagino a sonoridade da mota que o Tiago vai pilotar com um eventual Akrapovic ou qualquer outro escape livre.
Se já ao ralenti a mota, se percebia diferente, meter a primeira e arrancar, foi suficiente para perceber o quão diferente realmente é este motor, sem qualquer comparação com qualquer outro motor tetracilindrico, de qualquer cilindrada, o que de certa forma na fase inicial confundia um pouco os sentidos.
Dispondo de 3 mapas de injecçao, que se podem comutar em andamento, um denominado Standard com o qual iniciei o teste, um mapa A com uma entrega de potência mais agressiva e um terceiro mapa B em que se suaviza e atenua essa mesma entrega de potência, cedo comutei para o mapa A, que usei predominantemente, mesmo o teste tendo decorrido em estrada, é sem dúvida o que mais gozo dá.
Neste mapa A a mota é absolutamente desconcertante, acima de tudo porque nenhum motor de 4 cilindros em linha, tem um comportamento semelhante ou sequer aproximado, é tremendamente eficaz, porque básicamente catapulta-nos para a frente, mesmo que por vezes pela diferença da sonoridade, que mais parece um V4, não nos pareça, mas rápidamente percebemos a fulgurante aceleração e a eficácia na tracção que este motor proporciona. A Yamaha mais uma vez inovou, aqui uma curiosidade, neste modelo deixa de existir o EXUP, a válvula de escape que a Yamaha inventou, que as outras marcas adoptaram, e que agora a Yamaha prescinde, porque neste motor arranjou outras formas de conseguir mais binário em baixos/médios regimes.
Na prática há uma ligação muito directa entre o acelerador e a roda traseira, com uma resposta acrescida e pronta em médios regimes, sem que tenha perdido a "alma" em alta da versão anterior, juntamos a isto uma tracção acrescida, uma sonoridade única e temos um cocktail que em pista será extremamente eficaz, nas mãos certas.
Em termos ciclísticos, mesmo tendo rodado com as suspensões nos seus settings de origem, e óbviamente podendo ser ajustada à utilização que lhe pretendemos dar, a mota é excelente pela facilidade, neutralidade e feeling que nos proporciona. O novo quadro é sem dúvida uma excelente base para a versão de SBK, e o Spies e o Sykes já o mostraram nos testes em Portimão. A nova suspensão dianteira, com a compressão e a extensão em bainhas diferenciadas, é interessante pois penso ser mais fácil a afinação. A suspensão traseira, nas condições que a testei (estrada) e em conjunto com o bonito e imponente braço oscilante mostrou-se eficaz, se bem que aqui há que contar com o factor motor e a forma que disponibiliza a potência à roda.
A travagem mantém o conjunto da versão anterior, uma das melhores do segmento em potência e progressividade, portanto por aqui nada de novo, simplesmente eficiente.
Em jeito de conclusão, apenas digo que fiquei com uma imensa vontade de a testar no seu habitat natural, a pista e que aguardo com expectativa, que comecem os vários campeonatos, onde se inclui o nosso nacional, onde ao que parece além do Tiago, existirão mais R1s em pista, para confirmar todo o potencial desportivo desta máquina.

2 comentários:
Viva,
Deve ser um grande canhão...
Também quero uma destas...
Abraço
CCS 72
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